Como levar seu gato para a Alemanha

Como aqui em casa as gatas (Isolda, Margarida e Filó) fazem parte da família, elas também embarcaram conosco na mudança do Brasil para a Alemanha.

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A seguir, conto em detalhes como foi o processo para conseguirmos trazê-las para Munique. Adianto que ele foi longo, estressante e extremamente burocrático, mas que todo o esforço foi recompensado quando vi as três bolinhas de pelo chegarem bem e super espertas aqui do outro lado do Atlântico.

Enfim, vou explicar os detalhes de todo o processo por etapas. Você deve seguir exatamente a sequência descrita abaixo para levar seu animal de estimação para a Alemanha, porque, neste caso, a ordem dos fatores altera o resultado. Não queira atropelar o processo e fazer diferente! Os procedimentos são realmente rígidos, mas possíveis de serem cumpridos com boa vontade e paciência.

Etapa 1: Implantar o microchip no animal

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Todos os animais que entram na Alemanha e em vários outros países da União Europeia devem ter um microchip implantado. Esse microchip nada mais é do que uma pecinha pequenininha, do tamanho de um grão de arroz, que contém um número de identificação do seu animal. Ele é implantado na região do pescoço e sua aplicação é muito rápida e indolor. É como se fosse uma injeção. Depois disso, o gato leva vida normal e se esquece de que tem o microchip naquela área. É praticamente também impossível sentir o microchip quando se acaricia o animal, sinal de que ele não deve mesmo incomodar.

Segundo os veterinários que consultei, não há qualquer contraindicação para aplicação do microchip (nem mesmo a idade avançada do gato, por exemplo).

O benefício de “microchipar” seu animal é poder identificá-lo caso ele fuja, se perca ou caso seja abandonado. Ao aproximar um leitor especial do pescoço do gato/cachorro, ele faz a leitura do número de identificação do microchip e o mostra em um display. Como esse número é único em todo o mundo, existe um banco de dados que permite identificar também o seu dono. Muito legal e útil, pena que aqui no Brasil ainda não seja uma medida obrigatória.

Os donos do animal recebem um certificado de implantação do microchip, que deverá ser guardado e apresentado mais tarde às autoridades de controle sanitário dias antes da viagem.

Aqui em casa, a única dificuldade para implantar os microchips foi segurar as gatas (duas delas são um tanto quanto rebeldes para “questões veterinárias”, digamos assim). Mas, no final, deu tudo certo.

O valor pago pela microchipagem foi de R$ 150,00 por gata (em Março de 2015).

Etapa 2: Vacina antirrábica

Após a implantação do microchip, demos uma semana de intervalo e levamos as ferinhas a uma clínica veterinária para aplicação da vacina antirrábica.

Importante ressaltar que a União Européia não aceita comprovantes de vacinação de animais em campanhas públicas. Por isso, você deverá levar o seu bichinho a um veterinário que garanta a procedência e a qualidade da vacina. Pode custar um pouco mais caro, mas valerá pena.

O veterinário deverá providenciar uma carteirinha de vacina com a etiqueta/rótulo da mesma, a data de aplicação, de reaplicação e também com seu carimbo do CRV e assinatura. É importante também que todos os dados do animal estejam preenchidos corretamente, sem erros, porque isso pode dar problemas mais pra frente.

O valor pago pela vacina antirrábica foi de R$ 60,00 por gata (em Março de 2015).

Etapa 3: Sorologia Antirrábica

A União Europeia extinguiu a raiva em seu território (pena que não podemos dizer o mesmo aqui do Brasil…). E para evitar que o vírus volte a circular, as autoridades exigem uma comprovação de que o seu bichinho não é portador da doença.

Para isso, não basta estar com a vacinação em dia. É preciso também fazer um exame de sangue que deverá ser colhido por um veterinário da sua confiança, enviado para um laboratório, e, posteriormente, remetido para São Paulo – mais especificamente para o Laboratório de Zoonoses e Doenças Transmitidas por Vetores (Labzoo). Este é o único laboratório no Brasil credenciado pela União Europeia para a realização deste exame.

A clínica que nos atendeu no Rio de Janeiro para a realização deste exame foi a Iemev, no bairro de Botafogo. Infelizmente, precisamos fazer o exame duas vezes: da primeira vez, as amostras chegaram a São Paulo com intensa hemólise e não puderam ser examinadas pelo Labzoo (não sei se a necessidade de repetir o exame é comum ou se tivemos azar). Da segunda vez, graças a Deus, deu tudo certo, e as gatas tinham os níveis aceitáveis de anticorpos para viajar! Ufa!

Importante dizer que a coleta do sangue deverá ser feita em um prazo mínimo de 30 dias a partir da aplicação da vacina antirrábica (descrita na Etapa 2). Além disso, entre a coleta de sangue e o embarque do animal você deverá considerar um intervalo mínimo de 90 dias. Antes disso, não é possível viajar com seu animal para a Alemanha ou Europa.

Você também deverá considerar que o resultado exame realizado pelo Laboratório de Zoonoses e Doenças Transmitidas por Vetores deverá levar entre 20 a 30 dias úteis para ser informado. Isso se não precisar ser repetido (o que foi o nosso caso).

Ah, e para manter o certificado válido por toda a vida do animal, basta manter suas vacinas antirrábicas sempre em dia!

O valor pago pelo exame de sorologia antirrábica na Iemev foi de R$ 350,00 por gata (em Maio de 2015). A segunda coleta de sangue foi gratuita.

Etapa 4: Comprovante de Saúde do Animal

Com todos os documentos em mãos, marcamos uma consulta ao veterinário na clínica Iemev, no Rio de Janeiro. Lá, a veterinária que nos atendeu examinou as gatinhas e emitiu um certificado de saúde, comprovando que elas tinham condições para fazer a viagem de avião entre Brasil e Alemanha.

Importante considerar que este atestado deverá ser bem detalhado, constando o nome do animal, nome do tutor, cor da pelagem e número do microchip.

Este comprovante emitido pelo veterinário precisa ser emitido em um prazo de até 10 dias antes da viagem, então certifique-se de que seja válido na data do embarque!

Etapa 5: Emissão do CZI

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Munido de todos os documentos acima, você deverá comparecer à Vigiagro (Vigilância Agropecuária) do aeroporto em que irá partir para emitir o CZI (Certificado Zoosanitário Internacional), que atesta que o seu animal cumpriu todos os procedimentos sanitários para entrar na Alemanha/Europa.

No Rio de Janeiro, precisei ligar e agendar o atendimento na Vigiagro (não adianta ir lá sem marcar). Eles irão enviar por email algumas informações e papéis adicionais a serem preenchidos. Você deverá levar absolutamente tudo o que eles solicitarem na data agendada para conseguir o tão esperado CZI – ou seja, a liberação final para viajar com seu pet!

Vale dizer que seu animal não precisa comparecer à Vigiagro: apenas você (seu tutor) com os documentos! A emissão do CZI é gratuita – ou seja, menos uma despesa!

Pronto, depois dessa maratona seu bichinho está pronto para embarcar para a União Europeia!

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Vale ressaltar que todo esse processo que descrevo abaixo aconteceu entre março e agosto de 2015 e que você deverá conferir a legislação vigente na época da sua viagem!

Sobre Márcia Oliveira 79 Artigos
Márcia Oliveira é uma carioca completamente apaixonada por viagens. Atualmente mora em Munique, na Alemanha, onde trabalha como guia de turismo para brasileiros. É formada em jornalismo, tem paixão por fotografia e tecnologia. Ama a família e os animais. Aprecia as coisas simples da vida. E adora escrever no blog e receber mensagens dos leitores!

34 Comentário

  1. Oiii, tudo bem?

    Excelente post. Muito esclarecedor.
    Tenho duas perguntas sobre a ida de gatos para a Alemanha:
    1ª) Eles podem ser enviadas para seu tutor ou precisam estar acompanhados de um responsável, na viagem?
    É que estou incumbida de enviar as duas gatinhas da minha sobrinha que está morando definitivamente na Alemanha. Por questões financeiras, ela não pôde levá-las quando da sua ida.
    2ª) A legislação aí na Alemanha, continua a mesma desde 2015 ou houve modificação quanto ao transporte e/ou recepção internacional de animais de estimação. Se houve modificação, onde minha sobrinha ou eu devemos pesquisar para atualizarmos as exigências?

    Obrigada, e tenha uma ótima semana.
    Lourdes.

    • Oi Lourdes! Obrigada por sua mensagem! 🙂
      Pelo que sei, o animal pode ser enviado sem seu tutor (mas é preciso se informar na companhia aérea). Sobre a legislação, não sei responder. Sempre bom checar isso, porque pode ter acontecido alguma alteração nos procedimentos desde que descrevi no post.
      Um abraço!
      Márcia

  2. Olá,

    qual companhia você embarcou? na Lufthansa eles falam que na cabine só pode caixa 50x40x23 mas não to achando…voce foi por qual companhia e se foi Lufthansa qual caixa vc usou? ou os gatos todos foram no porão?

    att, Lais Adelita

  3. Prezada Márcia,
    Nós vamos para a Suíça com nossa cadelinha, mas entraremos por Frankfurt. Gostaria de saber, mesmo estando com toda documentação, se há algum tipo de quarentena na Alemanha?

  4. Olá ! Seu post é maravilhoso !
    Eu apenas gostaria de saber uma coisa que não encontrei aqui. Você precisou prepará-las pra viagem em termos de saúde, algo para fortalecer a imunidade ? Elas tomaram alguma medicação antes do voo ? Como foi com jejum, comida, água ?
    Tentei orçar com uma empresa a exportação dos meus gatos, mas, só de serviço da empresa, foram cobrados 16 mil reais, fora os custos com exames, chips, etc.

    • Que bom que gostou do post, Renata!
      Não houve nenhuma preparação especial para a viagem. Além disso, não é permitido sedar o animal para o voo (ele precisa se segurar dentro da caixa em caso de turbulência, por exemplo). Elas comeram normalmente em casa, antes do voo, mas não comeram durante a viagem – mesmo assim, chegaram ótimas!
      Não precisa contratar empresa – você pode fazer tudo sozinha. Sai muitíssimo mais barato!!!
      Abraços!

  5. Oi Márcia.
    Vou me mudar para Berlim, e vou levar meu gatinho também, gostaria de saber se suas gatinhas se adaptaram bem ai em Munique, se demorou a adaptação, com clima e outras coisas.
    Estou com bastante medo do meu pequeno não se acostumar.
    Adorei sua publicação, esclareceu bastante minhas dúvidas de como levar ele comigo.

    Obrigada.

    • Olá Kethellyn, tudo bem? Sim, elas se adaptaram muito facilmente à Alemanha. Chegamos no verão, mas não acredito que o inverno fosse problema, já que elas só ficam dentro de casa (e dentro de casa tá sempre quentinho). Fique tranquila, porque minha experiência de trazê-las para cá não foi nem um pouco traumática. Pelo contrário, foi bem melhor do que imaginava anteriormente. Abraços!

      • Muito obrigada, procurei bastante sobre isso e nunca achava alguém que tivesse essa experiencia. Tô bem mais tranquila agora. 😀
        Parabéns pelo blog, é ótimo.

  6. Muito obrigada! Meu voo é para Itália, mas minha primeira conexão na UE é em Frankfurt, então acredito que eu tenha que apresentar os formulários para a Alemanha, correto? Preciso avisar no aeroporto por e-mail antes de que estou viajando com cachorro ou é só chegar com a documentação mesmo?

    Muito obrigada

  7. Seu tutorial foi simplesmente espetacular .Estava com medo devir por causa delas.Vou como turista será que mesmo com a documentação ok eles podem me barrar na imigração?Outra coisa reagiram bem a viagem?porque tenho um rapazinho de 11anos ele que me preocupa.Com relação a esse exame de sangue vou ver se já existe em outras cidades que já fazem como minas gerais.
    Obrigada você foi minha luz no fim do túnel.

    • Oi Iza! Que bom que o post ajudou a esclarecer suas dúvidas! No meu caso, ninguém pediu os documentos dos gatos (e sei que isso ocorre de maneira bastante frequente). As gatas chegaram um pouco cansadas, mas muito bem de saúde. Eu trouxe uma de 13 anos que viveu até os 15 e passou muito bem a viagem toda. Boa sorte e fico torcendo pra que tudo dê certo!

  8. Minha linda, que bom que encontrei vc para me esclarecer algumas dúvidas, já tinha perguntado em um grupo de pessoas que moram na Alemanha mas ninguem me respondeu. Bem, estou retornando para Alemanha e dessa vez pretendo levar meus gatinhos no começo do ano que vem, vc acha que já devo começar a ver a documentação, vacinas e chip deles? Abraços

  9. Oi Márcia!! Muito obrigada pelas informações. Nós que temos filhinhos de quatro patas ficamos com o coração nas mãos só de pensar em uma separação… Então vamos lá! Vou começar minha via sacra amanhã mesmo! Uma dúvida: existe um modelo para o atestado de saúde que o veterinário emite?
    Mais uma vez, obrigada!

    • Oi Mônica, tudo bem? Eu me lembro que o atestado tem que ser bem detalhado quanto às características do animal, mas não lembro se havia um modelo. Pesquise na web e pergunte ao veterinário. Um abraço e que dê tudo certo no processo!

  10. Oi Márcia, eu vim passar um tempo na Alemanha e trouxe a minha cachorra seguindo suas dicas. Agora estou com o problema reverso e não acho ninguém pra me ajudar. Quais os procedimentos que devo seguir para levar ela de volta para o Brasil? Eu sei que são mais simples mas não consigo achar um roteiro detalhado iguais aos que você fez para a vinda.

  11. Olá, Márcia, tudo bem? Estou indo pra Frankfurt com meus três gatos, tá tudo certinho já, só estou com dúvida quanto ao tamanho da caixa da Vari Kennel. Qual tamanho você usou? Obrigada !

    • Oi Carolina! Eu comprei a Vari Kennel média na Cobasi, no Rio de Janeiro. Na época a caixa pequena estava indisponível. As medidas são 71 x 52 x 55 cm (C x L x A). Mas consulte o que a companhia aérea recomenda para o transporte dos animais. Cada empresa tem suas regras e exigências. Abraços e boa sorte! 🙂

      • Entendi, Márcia. Se tivesse a pequena você teria comprado ela ou acha que não caberia os gatos? Só estou com essa dúvida com relação ao tamanho da caixa mesmo, a cia aérea já me passou todas as informações de valores x tamanhos das caixas, mas tô com medo da pequena não dar…

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