A visita ao Campo de Dachau sintetizada em dois poemas

Ao atravessar o portão de ferro do Campo de Concentração de Dachau, onde se encontra a frase “Arbeit Macht Frei” (“O Trabalho Liberta”), nos transferimos à uma época não muito distante, em que aqueles considerados “fora do padrão” eram escravizados até a morte, serviam de cobaias para experimentos médicos, sendo humilhadas e torturadas covardemente por pura discriminação e pelo cruel mito da superioridade racial.

Entre fotos, descrições, documentos, barracões, percebemos que cada detalhe naquele lugar foi friamente planejado e tentamos imaginar o sofrimento dos mais de 200.000 prisioneiros de Dachau.

Mesmo profundamente tocados por tudo o que vemos, uma coisa é certa: é impossível chegar perto de sentir o que de fato essas pessoas passaram ali dentro.  A morte, a tortura (física e psicológica), a exaustão e a fome estiveram intensa e ininterruptamente presentes naquele lugar durante 12 anos.  Todas as evidências estão ali com o propósito de transmitir uma mensagem simples, que precisa ser constantemente lembrada à humanidade: “Nunca mais”.

A visita ao Campo impacta cada um dos visitantes de uma forma diferente. Alguns se emocionam, outros se calam, e há quem questione incredulamente: “Mas, por quê?” 

Apesar de as palavras não darem conta da totalidade de traduzir a visita ao Campo de Dachau, nossa querida turista e amiga Ednize Judite Silva (autora do livro “Aos pés de Francisco”) conseguiu sintetizá-la de maneira brilhante e sensível nos dois poemas a seguir. E nós agradecemos à ela por nos autorizar a publicá-los aqui em primeira mão!

Dachau

Do pó ao pó
De pé em pé
De mão em mão
Se eleva a construção
Se eclode a destruição
Se expande o espanto
Se pede reconciliação
Reconstrução

O sopro divino
Insufla vida
No homem
De barro.
Nos homens indistintos
No barro,
O jardim,
Agora templo,
Aguardando a aguada
Contemplação
De argila,
A cuia vazia transborda:

Benditos
Beneditinos
Franciscanos
Clarissas
Carmelitas

Tuas orações
São cantigas de amor
Amolecem o coração
Do Criador
Insuflam esperanças
Nas criaturas crianças
Até o amadurecer
Até um novo amanhecer.
Guten Morgen!


Fornos quentes
Frios corpos
Fornadas
Jornadas
Do céu ao inferno
Do verão ao inverno
Cinzas
Chovem
A alma do mundo
Chora
“Eles não sabem
O que fazem!”
Até quando?

Sobre Márcia Oliveira 94 Artigos
Márcia Oliveira é uma carioca completamente apaixonada por viagens. Atualmente mora em Munique, na Alemanha, onde trabalha como guia de turismo para brasileiros. É formada em jornalismo, tem paixão por fotografia e tecnologia. Ama a família e os animais. Aprecia as coisas simples da vida. E adora escrever no blog e receber mensagens dos leitores!

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