As diferenças entre morar em um prédio no Brasil e na Alemanha

Há muitas diferenças entre morar em um condomínio/prédio no Brasil e na Alemanha. E eu nem imaginava que eram tantas, até eu fazer esta lista abaixo com base na minha vivência nos dois países.

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1) Portaria

No Brasil, nosso apartamento fica em um prédio de tamanho médio, com cerca de 40 apartamentos. Lá, temos 3 porteiros que se revezam 24 horas na portaria e um faxineiro que às vezes também “faz uns bicos” de porteiro. Basicamente, os porteiros apertam o botão do portão pra quem está saindo ou chegando (porque ninguém tem a chave do prédio por questões de segurança), abrem o portão da garagem (apesar de todos os moradores terem o “radinho”), interfonam para os apartamentos quando chega uma entrega ou visita (apesar de haver um porteiro eletrônico do lado de fora), e, de forma geral, tomam conta do prédio, tanto no que diz respeito à segurança quanto a cuidados relativos à garagem e aos elevadores, por exemplo. Mas quem toma realmente todas as providências é o síndico, que, no nosso caso, é um morador que voluntariamente se candidatou a essa (ingrata) função.

Na Alemanha, o conceito de portaria é bem diferente do que temos no Brasil. Ela não tem aquela mesinha do porteiro, mesmo porque ele não fica ali. Aqui no meu prédio, o porteiro vem uma ou duas vezes por semana, durante apenas algumas horas, e cuida da lavanderia, das dependências comuns e de pequenos consertos. Ele é empregado de uma empresa (uma administradora de condomínios), que tem um telefone para atendimento 24 horas (somente para casos de emergência) e que pode também ser contactada por email ou telefone no horário comercial. Aqui em casa, costumamos até dizer que a manutenção do prédio é feita por “pessoas invisíveis”: mal vemos o porteiro, mas percebemos quando tudo está limpo e bem cuidado. E o bom é que tudo funciona muito bem dessa maneira!

2) Segurança do prédio

Além dos porteiros que se revezam 24 horas e que acabam, mal ou bem, assumindo a função de “seguranças”, nosso prédio no Brasil conta com uma grade de ferro em todo o seu perímetro. E não é só isso: acima dessa grade, há ainda uma concertina, que nada mais é aquele emaranhado de arames com lâminas superafiadas que desencorajam qualquer tentativa de invasão. Isso porque já houve vários roubos aos carros que ficam na garagem durante a madrugada, apesar da presença do porteiro na portaria.

Aqui na Alemanha, a questão da segurança é bem diferente. Apesar de a porta do prédio ficar trancada, não há qualquer barreira para entrar no nosso condomínio. Os apartamentos térreos não têm grades – e o meu, que fica no primeiro andar, só tem rede na varanda por causa das gatas . Nunca ouvi falar de nenhum caso de assalto ou violência por aqui, graças a Deus! Pelo contrário, por mais de uma vez esqueci a porta de casa semi-aberta, e nada aconteceu.

No outro prédio em que passamos um curto período aqui em Munique, a questão da segurança era até bem engraçada: a porta da frente era trancada com chave. Mas a porta dos fundos ficava aberta durante o dia todo, assim como o portão da garagem. Ou seja: quem quisesse poderia muito bem entrar no prédio!

3) Descarte do lixo

No nosso prédio do Brasil não há qualquer preocupação ou incentivo relativos à separação do lixo. E pra falar a verdade, até me mudar pra Alemanha, nunca tinha me preocupado muito com isso. Temos uma lixeira no corredor de cada andar e, ao jogar o saco lixo por ela, existe um duto que o conduz até uma “lixeira central” próxima à portaria. Daí pra frente, é trabalho do faxineiro disponibilizar o lixo para a companhia que o recolhe uma ou duas vezes por semana.

Aqui na Alemanha não existe esse “duto mágico” que faz você se livrar do lixo quase de dentro de sua casa. E cada um é responsável por separar adequadamente o seu lixo e levá-lo até uma casinha dentro do condomínio onde ficam os containers comuns (de lixo orgânico, papelão e lixo geral). Mas não é só isso: alguns tipos de embalagens e produtos não podem ser descartados nas lixeiras dos prédios. Há lixeiras comunitárias praticamente em cada quarteirão da cidade, que servem para descartar vidros verdes, vidros marrons, vidros transparentes, metais, embalagens plásticas… E há também em alguns locais lixeiras especiais para lâmpadas e pilhas, por exemplo.

Isso significa que, por aqui, é preciso realmente pensar bem antes de jogar cada coisa fora. Confesso que, no início, achava esse processo de separação bem chatinho. Agora já me adaptei e sinto até uma certa satisfação ao saber que parte do meu lixo está sendo encaminhado adequadamente para reciclagem. Dá aquela sensação de que, de alguma maneira, você está fazendo a diferença e contribuindo para conservar o planeta.

4) Silêncio

No Brasil, era normal ouvir o casal do apartamento do andar de baixo frequentemente “batendo boca” (aos berros), a vizinha de cima varrendo o apartamento de madrugada, a adolescente do último andar que batia a porta de casa quando brigava com os pais, o vizinho de porta que ouvia música no volume máximo até mesmo de madrugada… Enfim, já estava bastante acostumada a tudo isso.

No meu prédio atual na Alemanha, consigo ouvir o silêncio quando estou dentro de casa. É isso mesmo: não há qualquer barulho, fico impressionada! As pessoas não ouvem música alta, respeitam os horários de obra e realmente vivem ser incomodar os vizinhos. Até mesmo as crianças e animais parecem não existir!

5) Recebendo encomendas

Sempre que tinha alguma encomenda pra receber no horário de trabalho ou quando estava ausente, pedia para que fosse deixada na portaria do meu prédio do Brasil, e a pegava quando retornasse.

Na Alemanha, isso funciona de uma maneira bem diferente. Como não temos o porteiro sentado na portaria, o que acontece é o seguinte: o funcionário da transportadora toca no porteiro eletrônico do meu apartamento, e, caso eu não atenda, ele liga pra algum vizinho e leva a minha encomenda até a sua casa. Lá, o entregador pede para o vizinho assinar um comprovante de recebimento, e, em seguida, deixa na minha caixa de correio um papel informando que esteve no prédio e que deixou o pacote na casa do fulano de tal, na hora tal e dia tal. O que eu preciso fazer quando chegar em casa é: pegar esse papelzinho, ir até a casa do vizinho, e pega a encomenda. Ótima ideia, não?

6) Apartamentos sem número

É inimaginável termos no Brasil um porteiro eletrônico na porta exibindo os nomes dos moradores em seus botões. Por questões de segurança, o que temos é simplesmente o número dos apartamentos.

Mas aqui na Alemanha, os apartamentos não têm números. Eles são identificados no porteiro eletrônico e nas caixas de correio pelo sobrenome dos moradores. Por exemplo: lá embaixo do prédio, temos um botão com o sobrenome “Oliveira”, indicando que moramos no primeiro andar. E na porta do nosso apartamento e na caixa de correio, há também uma plaquinha com o nosso sobrenome que substitui o número.

Confesso que acho a utilização de números algo bem mais prático, mas quem sou eu pra mudar isso, não é mesmo? Como aqui (ainda) não há o problema de segurança, acho que esse sistema tende a permanecer assim por muito tempo ainda.

Sobre Márcia Oliveira 80 Artigos

Márcia Oliveira é uma carioca completamente apaixonada por viagens. Atualmente mora em Munique, na Alemanha, onde trabalha como guia de turismo para brasileiros. É formada em jornalismo, tem paixão por fotografia e tecnologia. Ama a família e os animais. Aprecia as coisas simples da vida. E adora escrever no blog e receber mensagens dos leitores!

4 Comentário

  1. Adorei suas comparações entre a maneira de viver no Rio e em Munique!
    Já estive aí e confesso ter gostado muito da cidade,dos meios de transporte e dos pontos turísticos.
    Muito oportuno esse blog. Parabéns!

  2. Ola… Sempre adorei a Alemanha e tenho muita vontade de viajar pra la.
    Gostaria de saber qual a dica que você poderia dar para quem vai pela primeira vez? É fácil a adaptação?

    Obrigada!!!

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